2 de outubro de 2011
Um poema de Emerson Teixeira Cardoso
Nunca confessar que era amor (ou romance inglês)
Nunca confessar o meu amor – de viva voz
Talvez fez ocultar em mim
O louco apaixonado.
Mas, se os olhos falam...
Não ter merecido de você jamais
Um olhar demorado,
Fez com que eu me encolhesse friamente
Em minha timidez, cada dia mais distante,
como um caracol.
Vai, você duvidou do meu sentimento,
Como se fosse intencional minha crueldade.
Não, não foi...
Mas seus olhos seriam ainda mais irresistíveis
Tivessem uma expressão mais agradável.
Emerson Teixeira Cardoso
9 de setembro de 2011
Convite de Ronaldo Cagiano
A Dobra Editorial convida para o lançamento do livro
Apoio Biblioteca Ascânio Lopes
O sol nas feridas
de Ronaldo Cagiano
dia 17 de setembro de 2011,
sábado, a partir das19h
Biblioteca Ascânio Lopes
Praça Governador Valadares, 176
Chácara Dona Catarina - Centro
Cataguases - MG
sábado, a partir das19h
Biblioteca Ascânio Lopes
Praça Governador Valadares, 176
Chácara Dona Catarina - Centro
Cataguases - MG
31 de agosto de 2011
Fernanda Lobo
Rendemos aqui nossas homenagens a atriz cataguasense Fernanda Lobo recentemente falecida. Homenagem a uma artista é revendo seu trabalho.
Vejamos aqui algumas cenas dela em A Cartomante, baseado no conto de Machado de Assis.
O filme foi realizado no Festival Ver e Fazer Filmes de 2008, em Cataguases, pela equipe da UFMG, comemorando o centenário de Machado de Assis.
O filme foi realizado no Festival Ver e Fazer Filmes de 2008, em Cataguases, pela equipe da UFMG, comemorando o centenário de Machado de Assis.
30 de agosto de 2011
21 de agosto de 2011
Um texto de Fábio Leite
Minha timidez
Tímido, mas como Salomé, a queria de bandeja. Cortada, laminada, inteirinha, pronta para meu de-leite. Ela? Bem, ela queria ser olhada, elogiada, cortejada. Mas como fazê-lo? Minha profunda timidez, não o permitia.
Um lado do cérebro desejando, babando apetite... o outro comandando a língua para falar de livros, filmes, cds, coisas que nem li vi ou ouvi. O maldito papo cabeça.
Ela levantou-se, me olhou, após um sorriso e um muxoxo me deu um seco oi! e partiu.
E eu? Eu. Perdi mais uma.
Fábio Leite
Publicado no Chicos 24 – Dezembro 2009 Um poema
8 de agosto de 2011
Em “Os olhos vesgos de Maquiavel” Fernando Cesário usa o homem para homenagear a mulher
Marcelo Lopes*
“Cristine me fascinava especialmente por algo nos olhos. (...) Mas havia qualquer coisa de extraordinário no modo como me espreitava”.(Os olhos vesgos de Maquiavel)
Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov, um dos romances mais polêmicos da literatura, conta a paixão de um homem muito mais velho por sua enteada adolescente, linda, sensual e audaciosa. O escritor cataguasense Fernando Cesário está lançando seu mais novo romance, Olhos vesgos de Maquiavel, em que um professor de meia idade, se apaixona por uma de suas alunas adolescente, linda, sensual e audaciosa. As semelhanças entre as duas obras, no entanto, terminam por aí. A moça em questão tem tambémmuito de Capitu, a personagem de Machado de Assis em Dom Casmurro. Apesar de ser contada por um homem, nesta história ele é apenas coadjuvante, porque tudo gira e acontece em torno desta estudante, motivo que o levou a compartilhar conosco esta sua experiência afetiva. Ao fim e ao cabo, podemos dizer que o livro é, sem dúvida, uma sensível homenagem à mulher.
Em Olhos vesgos de Maquiavel Fernando Cesário apresenta-nosVicente, que narra com a quase precisão de um diário, seu envolvimento com uma moça muito jovem, Cristine, quetem atitudes e reações próprias de quem já adquiriu experiência e maturidade. O autor expõe em detalhes os conflitos interiores do narrador e suas limitações, mostrando em contrapartida e subliminarmente, o poder que a mulher exerce nas relações amorosas.“Já trazia consigo a pimenta de uma mulher (...) Aos poucos, no entanto, se abeirava de volta a menina...” Cristine não é apenas forte e segura de seus atos. Ela é a síntese do que representa hoje a mulher em um relacionamento afetivo. “...ela, inalterada e plácida, não parecia se preocupar minimamente, revelando extraordinário poder sobre suas emoções e impulsos”. É esta personalidade forte, distinta que nos faz crer que Cristine seja metade Lolita, metade Capitu. A primeira, mais volúpia e prazer, e a segunda, mais racional e estrategista, condições indispensáveis para compensar sua pouca idade e tomar as rédeas da situação.
Estamos, certamente, diante da melhor obra de Fernando Cesário, que anteriormente nos brindou com o premiado“Alma de Violino” e que agora posso dizer, sem medo de errar, era o prenúncio do que estava por vir com este excelente“Olhos vesgos de Maquiavel”. Um livro enxuto, denso, e que oferece uma leitura prazerosa nos impulsionando a seguir adiante nas memórias de Vicente sobre seus sentimentos por Cristine, além de revelar suas fraquezas, medos, certezas e tudo o mais que envolve paixões avassaladoras. “O invisível é o ensaio do medo, o invisível”. E se todos nós um dia, vivenciamos uma paixão, ler este romance permite voltar os olhos para as nossas lembranças e, involuntariamente, nos vemos em determinadas situações narradase,inconscientes, acabamos por fazeruma catarse de nós mesmos. Para quem acompanha a obra de Cesário, “Olhos vesgos de Maquiavel” não apenas confirma o grande escritor que é, como também pode ser considerado um divisor de águas em sua literatura, cada vez mais íntima, precisa e singela.
*Marcelo Lopes é jornalista e historiador.
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